sexta-feira, 16 de setembro de 2016

METEORO TEM MUITOS NOMES


 


esse mundo de merda está gravido de outro

Eduardo Galeano

 


Diziam que o mundo acabaria na virada dos anos 2000, que pelo menos haveria um colapso no mundo da comunicação virtual. Nada aconteceu. Em 2001, muitos de nós que vivemos meio século 20 esperando a 3° guerra mundial e o consequente hecatombe nuclear, tivemos a certeza de que o fim havia chegado. Um pouco atrasado, mas aí estava. Bem, foi o fim para os cidadãos nas torres, para os afegãos, para os iraquianos; parte do mundo árabe ainda está em convulsão e produz em troca ISIS e milhares de pessoas desesperadas batendo nos portos europeus em busca de vida. Mas o ocidente continua em pé.

 Em 2008 o dinheiro quebra o mundo. Não é a primeira vez e nem foi o fim, pois continua quebrando.

E rimos em 2012 de quem esperou por bolas de fogo vindas do céu a confirmar o apocalipse Maia. Na verdade, o fim do calendário que sobreviveu ao seu próprio povo. Rimos porque foi um ano como qualquer outro. Talvez uma chuva de granizo no sul do Brasil, uma tempestade de neve nos países nórdicos e, certamente, o aquecimento global, catástrofe a conta gotas.

 Até que que chegou 2013, confuso, estranho, borbulhante, seminal. Ninguém entendeu nada e nunca mais fomos os mesmos. Nossas vidas parecem as de sempre, mas não olhamos uns para os outros da mesma forma. Algo acabou e não há caminho de volta. Muitos tentam um retorno e cada um tem uma estrada ou um ponto diferente para o qual quer regressar. Nesse meio tempo deu uma down na high society e entramos em guerra. Mãos brancas manipulam fantoches e insistem em chamá-los de Instituições. As palavras são esvaziadas de sentido, não há qualquer garantia. Permanecemos confusos e perdidos, embora há os que afirmem mais confiança do que é possível. As convicções são mais propagadas quando o solo sob nossos pés está movediço, sabemos bem disso. E vamos equilibrando nossas esperanças na corda bamba, tal qual o bêbado e a equilibrista, mas com cuidado para que as certezas não nos embaracem os pés.

Seguimos nesse fim sem fim, arrastando cadáveres de amigos e inimigos. Aqui, na Síria, na França, nos EUA. E é preciso ter estômago, porque o cheiro é insuportável.
Talvez o mundo tenha chegado ao seu fim, não de uma vez, não um armagedom, mas aos poucos e com várias datas.

Saudade de 2013.
 
Taiasmin Ohnmacht
 
Tags: crise mundial 2013 política 


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