segunda-feira, 12 de junho de 2017

Escritoras Negras, por Priscila Pasko.

Abaixo, o link da excelente reportagem da jornalista Priscila Pasko, sobre escritoras gaúchas negras.

http://www.nonada.com.br/2017/03/por-que-nao-conhecemos-as-escritoras-negras-gauchas/


E a seguir, a minha participação com o poema Considerações:

domingo, 11 de junho de 2017

LÚCIA




 
 
 
Para escutar a música, clique a seguir:

 
 
 
Letra: Taiasmin Ohnmacht
 
Música e voz: Galvão
 

LUCIA

 

Lucia me acusa

Eu me desculpo

Ela me recusa

E eu que nem fiz mal

Só pulei o carnaval

 

Coração duro

E quarto escuro

No silêncio

Nem um sussurro

 

Meu corpo quente

Derrete gelo

Eu espero por um aceno

Do teu corpo moreno

 

Eu posso te aquecer

Até o dia amanhecer

Me chama, Lúcia

Não deixa o desejo morrer.

 

Lucia me acusa

Eu me desculpo

Ela me recusa

Será o ponto final?

De um amor sem igual?

 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ARRISCAMENTOS





Cuspo tinta azul
Do sexo oral
Com a caneta
O escarro
Desenha letras
E me cobra sentido




Sub Atração

Nem eu
Nem você
Vamos nos ver
Hoje, amanhã
Ou em qualquer tempo
Equação de exclusão
Sobra o vazio
 
 
 
 
Restolho
 
Não te assustes com os obreiros da morte
Enquanto os vermes devoram teu corpo
Teu nome estará sendo dito
Em lamentos
Missas
E alívios
No dia em que restarem só ossos
Nem isso.
 
 
 
 
Palavra é larva que devora a coisa
 
 
 
 
 
 
 
 




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

ENTRE NÓS



Taiasmin Ohnmacht


Em meu corpo dois mundos
África e Europa
Europa domina África
Europa subjuga África
Europa vende espelhos
Ignorantes de África

Em meu corpo dois mundos
África se derrama sobre Europa
Resistência: palavra e ritmo
Em meu corpo a revolta

Meu corpo em
Europa que não é Europa
Meu corpo em
África que não é África
Meu corpo novo mundo
Em disputa
Meu corpo revolução

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A MÃO E A LETRA




Taiasmin Ohnmacht

Eu gosto de descobri-la, eu a convido, a domino, mas depois que avançamos um pouco, somos amantes, bailarinas. Os meus movimentos são ela e ela me justifica. Às vezes erro suas curvas e ela me olha magoada, eu garanto que é sempre linda e que a essência se sobrepõe a suas formas.
Eu a convoco e ela se entrega em minhas mãos e juntas criamos vida. Chego a pensar que ela é só minha, mas nosso relacionamento é aberto, ela é de todos. Ciúme? Sempre! Mas ela também se faz bela com outros.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

UM PEIXE NA PRIVADA NÃO É UM PEIXE




Taiasmin Ohnmacht
 
 
 
No andar alto de um prédio envidraçado.

Edu Privada: Senhores, estamos aqui para refletir e traçar estratégias. Não somos de esperar por acontecimentos, o cálculo e a ação sempre foram nossa marca. Temos que criar uma onda que favoreça novas expansões da família.

Seg Privada: Muito bem, tenho a dizer que tudo é time, senhores. É como uma bomba a ser acionada em um momento preciso, que dará início a uma sequência de explosões menores. Após a primeira explosão, basta ir atrás do rastro de destruição e colher moedas dos escombros.

Sau Privada: Seg, apesar do que nos irmana, devo dizer que suas metáforas são lastimáveis.

Seg: Ora, somos da mesma família. Você é tão Privada quanto eu! Sau, se eu lucro, você também lucra, independente das palavras em que isso seja colocado.

Edu: Chamei-os aqui para unimos esforços. Nem sempre a melhor estratégia é esperar por espólios. Pode até funcionar bem para você, Seg, mas para mim é desastroso, e também não gera bons resultados para Sau. A família Privada precisa expandir territórios, precisamos ter a determinação de conquistadores.

Seg (com ar pensativo): Europa? Temos dificuldades, mas estamos implantando algumas ações para mudar a cultura de um modo que nos seja mais favorável. A América está dominada.

Edu: Depende de que América você fala. Que tal um território de duzentos milhões de habitantes, ao sul do continente?

Seg: Brasil? Tem sido um ótimo mercado, e que só cresce. E essa é a tendência por muito tempo ainda. Mas não há novidade nisso, Edu.

Sau: Para você, Seg. Saúde e Educação ainda estão fortemente dependentes dos serviços públicos. Para mim e Edu, os negócios ainda são muito limitados. Claro que os serviços oferecidos são precários, e podemos crescer em cima dessas falhas.

Edu: Contávamos com isso há cinquenta anos atrás. Apoiamos um desmonte na educação, no entanto, não gerou os lucros irrestritos que esperávamos. O Estado ainda restringe nossa atuação.

Seg: Serviços ruins...nenhuma revolta popular para apoiarmos?

Sau: A população está insatisfeita, mas não a ponto da revolta. Na verdade, parecem satisfeitos com o governo.

Seg: Mesmo depois de 2008?

Edu: Temos que pensar como vender o peixe da família Privada. O argumento dos péssimos serviços públicos é bom, mas deve haver um certo cuidado com a indignação popular. Os efeitos de uma real indignação podem ser prejudiciais a nossos interesses.

Seg: Se bem que, a população raivosa nas ruas, pode gerar novas demandas; artefatos de contensão, bombas, máscaras, gás.

Edu: Contenha-se Seg! Estamos aqui para pensar na família Privada como um todo, e não apenas nos lucros da segurança.

Seg: Está bem, é justo. De nós três, talvez eu tenha sido o que mais venho lucrando mundo afora. Por outro lado, vocês têm que reconhecer os serviços que presto ao romper com qualquer laço de solidariedade. Eu sou o abre-alas da família Privada.

            (Sau e Edu se olham sorrindo)

Bem, eu tenho uma ideia. Tenho muitos projetos em parceria com o primo Oil e sei que ele tem interesses na região. Poderíamos compor forças. O primo Oil tem contatos poderosos, inclusive com órgãos de inteligência. Talvez encontrem motivos para se envolver.

Sau: O primo Oil! Boa lembrança! Fale com ele, Seg, mas leve o Edu junto. Queremos que o Oil entenda que não se trata de uma questão a ser resolvida como o Oriente Médio.

Edu: Muito bem, senhores. Saímos dessa reunião com o esboço de um projeto e, uma vez mais, com a certeza de que somos a história.

            Os três irmãos apertam as mãos e se retiram da sala.

 

            No coração da América do Sul, um ruído alto de descarga é ouvido.

domingo, 13 de novembro de 2016

JACK

 
 
 
Inspirada por um amigo Oldpunk
amante do Rock.
 
 
 
 
O teu negócio é arte suave
E o meu é rock pesado
Química leve
Não me serve
É Hard Rock
Baby
 
Na madrugada pinta telas
Tons pasteis
Meus tons são cruéis
Quebro o quarto
Guitarra, bateria e baixo
 
Não temo o asfalto
Não sou bicho
Para muros altos
Quero sereno e poeira
Pra gritar a noite inteira
Hard Rock
Baby
 
Sou fissurado na estrada
Comigo o tudo é nada
Tua história é apagada
Vou cair fora
Cantar sozinho o
Hard Rock
Baby